Seletividade de inseticidas: interferência na alimentação e sobrevivência do predador Orius insidiosus (Hemiptera: Anthocoridae)

Mireli Trombin de Souza, Lucas Kussek Aguiar, Michele Trombin de Souza, Bruna Caroline Durau, Tamara Akemi Takahashi, Maria Aparecida Cassilha Zawadneak

Resumo


Orius insidiosus (Stal) (Hemiptera: Anthocoridae) é um inseto aplicado no controle biológico de artrópodes-praga, como, ácaros, afídeos, lepidópteros, moscas brancas e tripes. A liberação deste inimigo natural é uma importante ferramenta em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Contudo, para o sucesso desta estratégia é necessária a correta integração de inseticidas com o inimigo natural. Nesse sentido, testamos se as aplicações de inseticidas liberados para morangueiro interferem na alimentação e na sobrevivência do predador O. insidiosus. Para isso, os ovos de Anagasta kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae), usados na criação de O. insidiosus, foram tratados com os inseticidas de cinco grupos químicos (i.e., espinosinas [Delegate®], neonicotinóide [Actara®], pirazol [Ortus®], piretroide [Karate®] e tetranortriterpenóide [Azamax®]). Os ovos foram imergidos em caldas inseticidas, por cinco segundos, na concentração máxima recomendada pelos fabricantes. Como controle negativo, foram oferecidos aos insetos os ovos com água destilada. Para cada tratamento, foram dispostos 100 ovos de A. kuehniella tratados com inseticidas em arena-teste e ofertados a 10 adultos de O. insidiosus, mantidos sem alimentos por 12 h. Foram realizadas 10 repetições para cada tratamento analisado. Após 24 h de exposição foram avaliados o número de ovos consumidos e registrada a mortalidade de O. insidiosus. Os inseticidas foram classificados segundo os índices de toxicidade propostos pela IOBC/WPRS, sendo: 1 - inócuo (< 30%); 2 - levemente nocivo (30 - 79%); 3 - moderadamente nocivo (80 - 99%) e 4 - nocivo (> 99%). Todos os inseticidas avaliados enquadraram-se na classe 3. A predação de ovos tratados com inseticidas foi reduzida de 52,3 a 76,2%. Os efeitos letais foram relatados para tetranortriterpenóide (81%), espinosinas (88%), neocotinoides (90%), pirazol (94%) e piretroide (97%). Os resultados demonstram que o uso inadequado de inseticidas em áreas com presença de O. insidiosus reduz a contribuição desses insetos para o MIP.


Palavras-chave


manejo integrado de pragas, inimigo natural, tetranortriterpenoide, piretroide.

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