Comportamento e preferência alimentar de Euborellia anullipes em relação a ovos e lagartas de Diatraea saccharalis

Joice Mendonça de Souza, Gilmar da silva Nunes, Aimée Regali Seleghim, Caio Cesar Truzi, Natalia Fernanda Vieira, Sergio Antonio De Bortoli

Resumo


A tesourinha Euborellia annulipes (Lucas) (Dermaptera: Anisolabididae) é registrada em plantios de cana-de-açúcar associada à predação de lagartas de Diatraea saccharalis (Fabricius) (Lepidoptera: Crambidae), a broca da cana-de-açúcar. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial predatório da tesourinha, analisando o comportamento de predação e a preferência alimentar pelas fases imaturas da broca (ovos e lagartas). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado (DIC), com 10 repetições para cada tratamento, sendo o número de presas consumidas avaliado em um esquema fatorial 2×3 (fases da presa × fases do predador). Para a realização dos bioensaios foram utilizadas ninfas de 3º, 4º e 5º ínstares do predador, oriundas da criação mantida no Laboratório de Biologia e Criação de Insetos (LBCI) da FCAV-UNESP, Jaboticabal, SP, e ovos e lagartas de 1º ínstar da presa, obtidos da criação massal da Usina São Martinho, Pradópolis, SP. Para os bioensaios sobre comportamento de predação e preferência alimentar, as ninfas da tesourinha foram mantidas sem alimento durante 12 h. Foi usado um total de 200 presas, 100 ovos e 100 lagartas, distribuídas de forma equidistante em arenas (placas de Petri de 16 cm de diâmetro). Para avaliação do comportamento das ninfas cronometrou-se o tempo em que elas levaram para chegar até as presas (detecção) e o tempo para consumir o alimento. Após 12 h de exposição das presas aos predadores, contabilizou-se o número de ovos e de lagartas consumidas e estimou-se o índice de preferência alimentar de Manly (1974), onde os valores maiores que 0,5 indicam preferência pela presa. Não foi possível observar o tempo de detecção das ninfas com os ovos, pois elas atacaram apenas lagartas. Ninfas de 3º, 4º e 5º ínstares levam 2,15; 1,43 e 0,26 min para detectar e 2,10; 0,25 e 0,34 min para consumir as lagartas, respectivamente, com taxa de predação média de 68, 83 e 91 presas. Há preferência das ninfas de E. annulipes pelas lagartas de D. saccharalis.


Palavras-chave


tesourinha, broca-da-cana, controle biológico, predação.

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