Misturas em tanque: aspectos agronômicos

Rone Batista de Oliveira

Resumo


As regiões de produção do Brasil são de clima Tropical e Subtropical com condições particulares que favorece a alta variabilidade espacial dos solos, diversidade de pragas, doenças e plantas daninhas que competem em todo o ciclo com as culturas de interesse comercial. Especificamente na cultura da soja, é comum a presença de diferentes plantas daninhas, pragas de início de ciclo, deficiência nutricional e, até recomendação preventiva da ferrugem asiática. No caso das plantas daninhas, verifica-se alta variabilidade espacial e temporal simultânea de espécies, infestação e estádio fenológico na mesma área, proporcionando dificuldades de manejo, tais como, realizar aplicações individuais para cada situação ou mesmo realizar aplicação a taxa variável por não apresentar padrões definidos em função do manejo.  Neste cenário, a mistura em tanque de herbicidas foi e continua sendo a opção mais barata e eficiente para controlar o efeito simultâneo de diferentes plantas daninhas e agentes de danos que reduzem o potencial produtivo das lavouras. Das técnicas de manejo integrado o mais praticado é o método químico, e quando realizado com mistura de produtos, pode proporcionar maior espectro de controle.

A mistura de produtos agrotóxicos em tanque é uma realidade no campo, porém, os agricultores carecem de informações em relação aos procedimentos de preparo, a sequência de adição dos produtos, os riscos de incompatibilidades físicas e químicas e da interferência no controle fitossanitário. Parte destas dúvidas são devido a grande possibilidade de combinações possíveis de serem realizadas e poucas evidências científicas e técnicas de esclarecimentos sobre o assunto. Nesse sentido, agricultores e técnicos anseiam por informações para manejarem as lavouras com maior qualidade e eficiência possível, e com menores custos, erros, perdas e impacto social e ambiental.

A mistura de múltiplos produtos e compostos de diferentes tipos de formulações, mostra uma realidade no cenário agrícola, que as caldas dentro do tanque de pulverização podem apresentar alta concentração e/ou diferentes condições, que exigirão cada vez mais de máquinas com sistemas eficientes de agitação da calda, profissionais aptos a recomendar técnicas de aplicação e escolher pontas de pulverização que atendam adequadamente este cenário de muita complexidade e pouca informação.

Em uma mistura em tanque os produtos podem ser de diferentes fabricantes, origem, matéria prima e tipos de formulações e, isto por natureza química poderá produzir incompatibilidade física e/ou química. Quando realizada sem os devidos cuidados, pode gerar problemas, tais como, deposição no fundo do tanque (decantação), formação de grumos, colóides em suspensão na forma de agregados (floculação), separação de fases e insolubilidade. A consequência é geralmente na obstrução do sistema de pulverização, acúmulo e entupimento de mangueiras, saturação dos filtros e entupimento das pontas de pulverização, além de aumentar a desuniformidade durante o processo de pulverização. Porém, quando realizada de forma correta tem como consequências alguns benefícios operacionais, como redução da quantidade de aplicações para o manejo e por consequência menor número de entradas dos pulverizadores nas áreas, evita a compactação do solo, proporciona um conceito de uso racional dos recursos hídricos, reduz o tempo de exposição do aplicador aos produtos fitossanitários, contribui para conservar os equipamentos pela redução das horas de funcionamento e potencial redução de custos.

Entretanto, antes da mistura, algumas perguntas devem ser respondidas, como foi decidido a necessidade de uso do herbicida? Quão qualificadas e treinadas são as pessoas que farão o uso? Além disso, deve-se descartar a possibilidade de misturas de princípios básicos de grupos químicos que apresentam antagonismo e que muitas vezes são negligenciados.

Portanto, na palestra trataremos dos principais fatores que interferem na mistura em tanque, que se inicia nos tipos de formulações dos herbicidas, sequência de adição dos produtos, preparo da calda e abastecimento, sistemas de agitação, armazenamento e resultados de pesquisa da interação da mistura de herbicidas e o impacto nos processos de pulverização.


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