Levantamento de problemas fitossanitários e tomada de decisão

Tiago Pereira Salgado, Marcos Antonio Kuva

Resumo


A avaliação das condições fitossanitárias da lavoura sempre foi aspecto primordial para proteger o investimento dos sistemas de produção e garantir a eficiência do trabalho, seja ela em grandes ou pequenas propriedades, em sistemas intensivos, extensivos, orgânicos, familiar ou de subsistência.

Esta etapa envolve muito mais do que acompanhar o cultivo no campo. O próprio planejamento de plantio, definição de espécies e cultivares, condições meteorológicas, ciclo da cultura, época de plantio, o conhecimento do histórico da área, o uso da análise de solo e ter a familiaridade com as principais pragas, doenças, nematoides e plantas daninhas, engloba o volume de informações e conhecimentos necessários.

Ainda assim, todos estes aspectos envolvidos no processo de produção agrícola não garantem, mas minimizam as possibilidades de se haver uma frustação na condução da lavoura.

Existe uma infinidade de possibilidades quando o assunto são ferramentas para auxiliar na tomada de decisão, porém, algumas regras gerais devem ser seguidas para minimizar os riscos nas diferentes fases de desenvolvimento da cultura.

O acompanhamento e manejo da lavoura deve-se palpar em recomendações técnicas baseadas em pesquisas, experiencia prática do produtor e conhecimento da “paisagem” que envolve todo o entorno da área produtiva.

Ferramentas de monitoramento climático, notas de danos de insetos nas culturas, escalas de severidade de doenças, banco de sementes de plantas daninhas e índices de infestação, indicam quando e como é necessário agir (ou não) em casos de danos além do tolerável.

Todavia a experiência e conhecimento das características de cada praga, a fase da cultura no momento do ataque, as relações do ambiente com o potencial de dano das doenças, dos nematoides e as características de interferência e proliferação das plantas daninhas certamente definem os planos de ação, o investimento necessário e os riscos que cada situação coloca o cultivo escolhido pelo agricultor.

Neste sentido, técnicas de sensoriamento remoto estão ganhando espaço na agricultura, sendo que diversas empresas vêm desenvolvendo equipamentos com o uso de imagens aéreas, imagens de satélites e sensores embarcados em máquinas e implementos agrícolas. Apesar da pesquisa e desenvolvimento e investimento de várias empresas no segmento agrícola, a disponibilização e a conectividade das tecnologias para detecção de problemas fitossanitários têm seus desafios. Geralmente pragas, plantas daninhas apresentam alta variabilidade temporal, distribuição desuniforme e tamanho reduzido. Além disso ainda existe a mobilidade dos insetos e a infestação de uma comunidade de plantas daninhas, representada por várias espécies que coabitam o ambiente, dificultando a diferenciação entre as daninhas e as cultivadas, ou mesmo as próprias variações intraespecíficas. Ainda somado a estes fatores, o estágio de desenvolvimento do alvo no momento da aplicação pode determinar o sucesso ou insucesso no controle. Por isso a velocidade de detecção, análise e transmissão dos dados tem que ser em tempo hábil.

Dentre os grandes desafios, a redução do uso de mão-de-obra no monitoramento, a otimização dos recursos do ambiente e a racionalização da utilização de produtos fitossanitários vem de encontro com a necessidade da produção agrícola na tomada de ação mais assertiva, com a velocidade necessária e com ganhos econômicos aos sistemas produtivos.


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