Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente – CSFI: Perspectivas da pesquisa

Marcos Botton

Resumo


O Manejo Integrado de Pragas é um desafio permanente para todos os atores envolvidos na produção de alimentos. O Brasil apresenta uma grande diversidade de biomas onde são cultivadas espécies vegetais de A a Z que atendem uma gama de consumidores que estão permanentemente em busca de alimentos nutritivos e que também são fonte de saúde e prazer. No entanto, no processo produtivo, diferentes insumos são utilizados com o objetivo de aumentar a produção e reduzir as perdas causadas por agentes bióticos. Muitos desses insumos são regulados pelo Estado com o objetivo de garantir sua eficácia e minimizar o risco àqueles que os manipulam durante a aplicação, aos consumidores e ao meio ambiente. Esse trabalho regulatório é um desafio às instituições envolvidas pois existem muitas especificidades e custos associados a cada situação fitotécnica. Ao longo dos anos, foi registrada uma discrepância na disponibilidade de ferramentas legalizadas para o controle das ameaças biológicas disponíveis aos produtores, conforme a importância econômica da cultura. Tal fato criou empecilhos ao desenvolvimento de novos produtos, provocando uma defasagem tecnológica e diminuindo a competitividade de determinadas cadeias produtivas. O assunto agravou-se em função de uma comunicação de risco equivocada realizada ao público consumidor. A mudança na legislação brasileira, incluindo o conceito de “minor crops” ou culturas com suporte fitossanitário insuficiente (CSFI) resultou em diversos avanços que permitiram minimizar o problema regulatório registrado no país. O agrupamento de cultivos para o estabelecimento dos Limites Máximo de Resíduos (LMR), o registro de biológicos por praga-alvo e a criação de grupos de trabalho multidisciplinares foram avanços importantes resultantes dessa necessidade de aprimoramento da legislação. O avanço na disponibilidade de novas ferramentas de manejo para as CSFI passa efetivamente pelo trabalho da pesquisa, que tem como objetivo permanente gerar, adaptar e avaliar novas soluções de controle sejam para as pragas existentes e/ou invasoras, cada vez mais comuns no Brasil.  Para que isso efetivamente ocorra, ainda são necessários avanços na legislação envolvendo o Registro Especial Temporário (RET) associado a necessidade de destruição de cultivos ao fim da condução dos experimentos, trabalhos conjuntos de priorização e validação das ferramentas de manejo disponíveis, com destaque para os insumos biológicos, e a readequação de LMRs nos casos de não haver alternativas mais modernas para o manejo de pragas de difícil controle. A integração de esforços da pesquisa cientifica brasileira com os agentes regulatórios, dando celeridade ao processo, são fundamentais para disponibilizar informações técnicas e soluções aos produtores das “minor crops”, consolidando e ampliando a competitividade dessas cadeias produtivas da agricultura brasileira.

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